Mediação de conflitos de interesse em uma empresa familiar.

Atualizado: 11 de Abr de 2019



O objetivo de compartilhar esse case é encorajar um olhar mais crítico e atencioso para interesses distintos e para os meios de resolução de controvérsias.

Nessa história real, tive a oportunidade de auxiliar e contribuir para uma solução mediada!


SOBRE A EMPRESA:


O empreendimento era administrado pelo fundador, sua esposa e seus dois filhos.

O fundador possuía projetos pessoais e pretendia se retirar, gradualmente, dos negócios.

Tudo andava bem, a empresa estava saudável e todos pareciam satisfeitos, até que um dos filhos resolveu se retirar da empresa para mudar de país.

O filho retirante nada exigiu para sair da sociedade, mas sabia que tinha direitos e legítimos interesses.


O segundo filho que também tinha sonhos pessoais, falava em empreender individualmente, mas gostava do trabalho que exercia junto com a família. Demonstrava empenho e competência no que fazia.

Para o pai, entregar a gestão ao filho que permaneceria parecia ser o melhor caminho para mantê-lo motivado e evitar que este também saísse da empresa, o que poderia ser desastroso para seus planos pessoais e para o futuro dos negócios.

Os interesses da matriarca eram evitar conflitos entre os filhos, manter a família unida, ser justa com ambos e continuar contribuindo com a gestão, ainda que em dedicação parcial.


Porém, mesmo parecendo uma situação equilibrada, restavam algumas questões:

Como entregar a empresa a um filho, se o outro também tem direitos?

Como antecipar a herança a um filho em detrimento de outro, mesmo que este nada reivindique?

Como obter liquidez para aquisição da parte do filho retirante sem que isso prejudique a operação?


A PARTICIPAÇÃO SEVERINI


O procedimento adotado para lidar com o caso, constituiu-se de fases distintas:


1. Reuniões com todos os envolvidos para identificar a situação e a natureza dos interesses existentes.


2. Reuniões individuais com cada membro da família a fim de detalhar seus interesses pessoais e avaliar possibilidades de solução, bem como identificar os interesses comuns e complementares.


3. Levantamento de alternativas de solução e ampliação do leque de alternativas aceitáveis por todos.


4. Escolha da melhor alternativa sob a ótica do conjunto de pessoas envolvidas.


5. Formalização de um acordo.


A mediação foi realizada e a operação adotada pela família foi:


A. O pai doa fração da empresa para cada filho, em partes iguais, mas continua sócio e se mantém como conselheiro.


B. O irmão retirante vende sua parte na empresa para ser paga anualmente com os lucros futuros.


C. A cada ano, é feita nova valoração da empresa, os pagamentos são realizados e a participação do irmão vendedor começa a ser diluída.


D. Um Acordo de Sócios regula a relação e provê soluções para eventuais obstáculos nos negócios.


E. O Conselho Consultivo assessora a nova gestão em questões como: ampliação dos negócios, melhora das margens e do lucro, otimização dos recursos, transparência entre os sócios, dentre outros.


F. Medidas semelhantes seriam adotadas até que 100% das cotas fossem transferidas para os filhos e um irmão adquirisse as cotas do outro com acompanhamento do conselho e amparo do Acordo de Sócios.


Ao ler este case, o leitor pode ter dúvidas como, por exemplo, “por que uma pessoa aceitou determinada condição?”


Como já foi dito, a mediação de conflitos visa identificar alternativas de solução com as quais os envolvidos possam conviver. Cabe destacar que o importante é vivenciar o processo, dialogar e compreender as vantagens e desvantagens de cada alternativa, bem como construir uma solução exequível.


Certamente, são muitas as alternativas para cada conflito. No entanto, é necessário iniciar o processo. Caso contrário, nenhuma solução será construída e o conflito de interesses poderá se agravar.


Leia mais sobre mediação em nosso blog e aguarde mais reflexões sobre assunto, em breve.

 (35) 99142-0268 | (35) 99142-0267