QUESTÕES EMPRESARIAIS REAIS - Episódio 2



Em conversas com profissionais de governança falávamos de uma situação em que houve sério conflito no relacionamento entre dois cunhados à frente da empresa. Pessoas maduras, com anos à frente do negócio, com muitas histórias de sucesso em sua jornada.


Sem que houvesse um episódio inicial causador, os cunhados começaram a se desentender. Um se referia ao desempenho profissional do outro manifestando grande insatisfação; o outro reagia com vigor e às vezes com truculência, levando a sérias preocupações em relação ao futuro do negócio.

A irmã-esposa, herdeira e legítima proprietária não trabalhava na empresa e nem mesmo participava das reuniões do conselho.

Em uma reunião do conselho, o marido propôs aumentar significativamente a distribuição de dividendos, o que preocupou os demais membros do conselho, pois aquela seria uma situação excepcional – após anos de sociedade, pareceu uma proposta nada convencional.

Nos diálogos seguintes, o cunhado revelou estar sendo pressionado pela esposa por necessidades financeiras adicionais, o que estaria inclusive abalando o relacionamento conjugal. Assim, descobriu-se que a animosidade que vinha se instalando entre os dois cunhados no ambiente profissional tinha origem nas questões conjugais de um deles.


Nossa reflexão é que consequências maiores poderão ser evitadas se esta terceira parte – no caso, a esposa e irmã – tiver a oportunidade de conhecer a realidade e as potencialidades dos negócios da família, evitando assim conflitos por falta de informações ou por expectativas exacerbadas.

A apresentação destas informações para as pessoas que não estão no dia a dia do negócio pode ser feita através de participação no conselho, apresentações pontuais no conselho ou na assembleia de sócios, dentre tantas outras opções. A questão a ser evitada é a assimetria de informações ou a falta delas.


Este é um papel da governança corporativa nas empresas familiares: deve haver o desejo de informar, trazer os membros da família para conhecer a realidade da empresa, criar condições para manter o interesse da família no negócio. Caso contrário, teremos que administrar conflitos de interesses cada vez mais acirrados.

Cabe considerar também que, mesmo empresas que não são de controle familiar passam por problemas similares.

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